Não somos aqueles autores donos absolutos de certezas irremovíveis e da claridade diurna.
Na última Semana Santa, estudamos e discutimos sobre a Paixão e Morte de Jesus, o Cristo e Anna, numa visão heterodoxa, elaborou o seguinte poema.
De Judas Iscariotes
_ Vem, Judas, venceremos todos os romanos
te darei uma coroa de brilhantes
governarás um reino poderoso e vasto
serás o príncipe de minha corte
o general invencível de meus exércitos.
_ Segui seus passos com boa vontade.
Nunca a promessa se cumpriu.
Jesus era um tocador de flauta.
Sua música impressionava meus ouvidos
e os outros ouvidos de toda a terra
onde os homens são eternamente jovens
e os dias só têm alvoradas.
As cordas de minha lira, diante dele, emudeciam.
Ele encatava e distraía multidões.
Fitava a lua e as estrelas.
Deitava na relva e conversava com as folhas.
Jesus era um 'boêmio".
E os romanos?
Continuavam com suas vestes de púrpura
embora não fiassem, não trabalhassem no tear
colhiam e amontoavam riquezas
embora não arassem nem semeassem
os soldados da legião devastavam nossos vinhedos
Jesus não os punia
embora fossem nossos inimigos.
Jesus chegou mesmo a dizer:
Dá a César o que é de César.
Se punires no corpo o homicida, o ladrão e a prostituta
teu próprio espírito escurecerá.
Deu vista aos cegos
fez andar os paralíticos
exorcizou demônios dos loucos.
Mas não curou a cegueira dos maus pensamentos.
Não curou os membros paralíticos dos ociosos.
Não curou a possessão dos exploradores do povo.
Deu vida aos mortos.
Isto é um milagre.
Mas este milagre se realiza em todos os verões
quando os galhos do flamboyant brotam
depois da sonolência do inverno.
A terra e os homens fazem milagres todos os dias.
Por isso aqui estou nesta sexta-feira.
Entreguei Jesus deNazaré aos seus inimigos
aos meus inimigos.
Cometi um crime e um pecado muito grave.
Ele que não viveu como um rei, morreu como um rei.
A História dirá Judas Iscariotes era ambicioso
por isso entregou Jesus de Nazaré a seus inimigos.
Traiu para ganhar dinheiro.
A História fará uma injustiça.
Eu considerava o Galileu um inimigo de minha raça,
um homem que me iludiu, não cumpriu sua promessa
Por que, Jesus, alimentavas tanta paixão por uma terra desconhecida?
Por que logo eu que ouvi a melodia de tuas canções
que vi a coluna de luz de tua força,
por que logo eu fiquei preso nos laços do parentesco e da pátria?
Por que fiquei procurando o reino deste mundo,
se eu era teu seguidor e teu reino é o do coração?
Meu coração está mais seco que o desrto
meu guardião é um cão bravo de três cabeças
minha vida é um cálice de amargura
minha videira, uma aranha
minha cama, um ninho de tempestades.
E eu te vejo, Jesus,
em todas as montanhas
em todas as ilhas
em todos os sorrisos
em todos os mares.
E vou me encontrar contigo HOJE
jogarei fora estas mãos sujas de sangue
como se fossem uma roupa velha ou uma comida estragada.
As vilas ruminarão os vômitos de anátemas
que entopem minha goelas
As larvas esperam os tremores de minha carne
os campos receberão meu esqueleto.
Sou o bode expiatório.
A humanidade fingirá não ter remorsos
E dirá que só Judas Iscariotes foi o traidor.
Perdoa-me, Jesus.
domingo, 11 de abril de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
N° 12 Desamarrando Prometeu
Muitas de nossas leis, hoje em dia, estão baseadas em antigas prescrições de coisas proibidas, mas que não constituem em si mesmas qualquer espécie de Mal. O Mal sempre constitui um pecado, mas o "pecado" nem sempre é um Mal.
E o sofrimento enquanto ajuste por erros cometidos é compreendido e tolerado à luz da lei da causa e efeito, denominada carma, e contribui para o refinamento do indivíduo. Não negamos o valor dos reveses da vida.
Cabe-nos, porém, separar as informações autênticas das falsas, embora não seja fácil porque temos que adaptar-nos ao ambiente que nos cerca, se não quisermos ser descartados. Por isso é muito importante que cuidemos deste ambiente, da saúde e educação do povo, pois o 4° poder hoje é a Internet e as manifestações populares.
O conhecimento está para a luz assim como a ignorância está para as trevas. Muita gente vive nas trevas, todos que podem têm de ser educadores para levar a luz às pessoas que estão na escuridão.
Uma certa herança cultural nos induz a programar nosso infortúnio, isto é, crenças errôneas herdadas do passado nos fazem pensar que o destino nos conduz ao erro, à dor, à infelicidade. Pessoas carentes sofrendo horrores dizem querendo ser santas: _ "Foi Deus que quis". Elas aprenderam na religião que Deus é ciumento, vingativo e tirânico. E para salvar-nos tem de nós compaixão e nos dá um Deus Redentor que, se formos bonzinhos e pagarmos os dízimos, nos dará a felicidade e a salvação da alma. Muita gente luta e se sacrifica, sem necessidade, para herdar um pedacinho do Paraíso...
Entretanto Deus não é bom nem mau, Deus é. O conceito de Bem e Mal só existe no homem e para o homem. Este colhe exatamente o que semeia.
Não é só na religião que nos ensinam que nosso destino é ser infeliz. Também o fazem na Escola, na Família, na Filosofia, na Literatura etc.
Assim, aprendemos a rimar amor, que deveria ser a base de nossa felicidade, com dor.
Até mesmo Platão introduz Diotima, uma sacerdotisa, em sua discussão sobre o amor para explicar sua origem híbrida, filho de Recurso e de Pobreza, que se uniram no aniversário de Afrodite e o conceberam. O amor seria uma procura do Belo mas ao mesmo tempo encerraria uma contradição. Isto segundo Platão no interminável multílogo que se intitulou Banquete!
Aliás, Eros é um sujeito brincalhão. Diz o incomparável Yung que em qualquer legislação, por mais adiantada que seja, os problemas eróticos não serão resolvidos.
Na Literatura Brasileira entre muitos outros exemplos temos o de Iracema. José de Alencar para metaforizar a miscigenação da índia com o branco, a exploração e quase extinção da raça indígena, cria um romance rimando amor com dor e deste modo atraiu inúmeros leitores.
Na Literatura Universal, os exemplos de angústia e sofrimento são incontáveis. Na França, temos o belíssimo romance de André Gide, A sinfonia pastoral, La symphonie pastorale da Gallimard, 1925. Por ser menos conhecido aqui no Brasil, falaremos mais demoradamente sobre ele. Um pastor em suas andanças, a fim de cumprir os deveres religiosos, foi chamado para dar assistência a uma velha moribunda, numa casa pobre duma região da França, perdida num ermo. A velha se extinguira sem sofrimento, foi o que informou uma vizinha na chegada do pastor. Apesar de nada revelar em absoluto que num recanto qualquer daquela miserável moradia pudesse se esconder o menor tesouro, ele perguntou se havia algum herdeiro. A vizinha iluminou um canto da lareira com uma vela e lá o pastor pôde ver imperfeitamente uma criatura acocorada, inerte, que parecia dormir; uma parte da cabeleira espessa ocultava quase completamente seu rosto. Poucas eram as informações que a vizinha podia prestar: tratava-se de uma cega com aproximadamente 15 anos, sobrinha da defunta, uma idiota que era preciso internar num hospício. Não falava e nada compreendia do que se dizia. Em toda aquela manhã não tinha sequer se mexido. Não era surda, simplesmente sua velha tia é que era surda e não lhe dirigia nunca a palavra. O pastor achou-se na obrigação de ajudar a menina. Subtraída do concívio social, ela não era mais uma pessoa. A prova está nas próprias expressões do pastor: a cega deixou-se levar como uma massa informe, os traços de seu rosto eram suficientemente belos, mas de todo inexpressivos, levava enrolado aquele embrulho de carne que parecia não ter alma, seus gritos não tinham nada de humano e sim eram como latidos queixosos dum cãozinho. Entretanto, aquela carne estava quente e vivia, no corpo opaco habitava uma alma. Não se sabia se a menina dormia ou estava acordada. Em casa, o pastor com sua esposa, Amélia, dispensou todos os cuidados higiênicos, religiosos e educacionais à doente que passou a se chamar Gertrude. O médico confirmou a cegueira de Gertrude e prescreveu exercícios para despertar-lhe os outros sentidos. O primeiro sinal de progresso foi demorado e custou muito esforço ao casal: um sorriso que parecia mais uma transfiguração, mais uma prova de amor que de inteligência. Os outros resultados foram rápidos. Gertrude começa a escutar o canto dos pássaros, fala, aprende música, sobrevive; a família era a sociedade de que ela precisava. Conhece os benefícios do convívio social. E também suas penas. O pastor se apaixona por ela. Amélia tem ciúme. Além deste, outro triângulo amoroso se forma: Jacques, o filho do pastor, que era solteiro e jovem se apaixona por Gertrude. O pastor não resiste ao ciúme e impede o namoro. Os olhos da moça são operáveis e a operação tem êxito. Gertrude pode ver o mundo e conhecer os homens. Verifica que ela ama Jacuqes e não o pastor. Jacques se converte ao catolicismo, por causa do mau exemplo do pai, e vai ser padre. Gertrude se suicida ao voltar da clínica para a casa da família adotiva. Seria bom ler Gide para não perder a fruição artística da obra.
Nos dia de hoje, continuam os mesmos procedimentos. Citamos as conhecidíssimas novelas da televisão. Os heróis e as heroínas padecem num vale de lágrimas por muito tempo, embora, quase sempre alcancem um "happy end".
Liguem o rádio e ouçam as canções de consumo, particularmente em AM, que atingem as classes mais baixas da sociedade, a maioria das letras gira em torno de amores infelizes, ruas de amarguras, conformadas tristezas, sofrimentos inúteis.
Os modernos meios de comunicação não cansam de reproduzir os arquétipos do pensamento injetados na mente humana através da própria História da Cultura. Tudo se passa como se os sacrifícios de antigos rituais de povos primitivos estivessem presentes, bem guardados na memória, e tivessem cedido lugar, no mundo contemporâneo, a formas simbólicas de auto-imolação. O homem civilizado dispensou o ritual de sangue sobre o altar dos sacrifícios, mas a idéia permanece gravada em sua mente e manifesta-se de diversas formas simbólicas.
Na verdade, o que precisamos de entender é que pecado é uma ação ou estado de desarmonia com as leis cósmicas. E também a omissão , deixar de fazer o que constitui o Bem. Pecamos todas as vezes que estamos vivendo em trevas, moralmente, eticamente ou cosmicamente.
Muita dor seria eitada, se houvesse uma compreensão maior acerca da origem e evolução dos pecados hoje embutidos nos códigos de diferentes culturas, inclusive de religiões as quais não fazem uma revisão de suas injunções.
Um caminho a seguir é praticar o moderno epicurismo.
Na mitologia grega, Prometeu roubou o fogo do conhecimento aos deuses para dá-lo aos homens e atraiu para si a ira de Zeus, condenando-o a ser acorrentado a um monte, onde todos os dias as aves de rapina vinham bicar seu fígado. No alvorecer da Era de Aquário, temos a esperança de reinventar este mito e desamarrar Prometeu, para atingir a plenitude do conhecimento e do saber, proporcionando-nos a felicidade. Conquista esta que se resume em eliminar a carência e a ignorância, e obter a experiência da Luz, da Vida e do Amor, magnífico triângulo.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
N° 11: O Bem e o Mal _ continuação
No blog n° 8, fizemos referência à autotranscendência que nos leva à evolução e à criatividade e que é muito importante na vida do homem.
Forneremos agora uma simplificada definição de transcendência, assunto que ocupa muitas e muitas páginas dos compêndios de Filosofia. Para chegar lá, é preciso entender aqui.
Transcendência é a qualidade do que não se esgota em si-mesmo. E a qualidade do que se esgota em si-mesmo é a imanência. Deus é o ser imanente por excelência, porque contém todos os outros seres.Tudo, menos o Mal, está em Deus, ele não pode transcender. Mas, para aproximar-nos de Deus, temos que transcender. O Mal é a ausência do Bem, já o estudamos, propriamente o Mal não existe, é uma invenção da mente humana. A ignorância (inscitia) e o medo da Morte (sentimento patológico da finitude) é que estão na origem do Mal.
Façamos uma reflexão e, ao mesmo tempo, uma avaliação de nossa posição, diante dos pricípios filosóficos sobre o Bem e o Mal.
Acreditamos que há um regente do Universo, Deus. que planeja sempre para o Bem e que planejou nosso destino. Destino este que está inscrito em nosso inconsciente individual e coletivo. Nossa felicidade depende das escolhas (é o livre arbítrio) que fazemos, orientados pelo inconsciente. Deus nos dá a tela com os desenhos traçados, nos dá a linha e as agulhas. Somos livres para bordar nosso tapete, podemos criar nele um céu ou um inferno e iremsos viver num ou noutro, conforme foi nossa escolha. Muito ainda temos que aprender a escolher e a realizar.
O problema do Bem e do Mal é arbitrário, porque, conforme a raça, cultura, política, crenças e grau de evolução, cada indivíduo tem dele uma compreensão diferente. Mas existem normas gerais que permitem estabelecer uma distinção entre comportamentos fundamentalmente bons e fundamentalmente maus. Como aplicação deste princípio, indiquem as ações, reações, atitudes, pontos de vista, idéias, crenças etc que acharem que pertençam ao Mal, opondo-se ao Bem. Usem apenas uma palavra em cada linha e não empreguem termos cognatoos, isto é, não escrevam, por exemplo, desunião para opor-se à união, uma das opções poderia ser separação. Este exercício nos obrigará a meditar num assunto muito importante para convivermos com os outros e para progredirmos espiritualmente.
BEM MAL
Prazer------------------------------------------------------------------------------
Criar -------------------------------------------------------------------------------
Amar -------------------------------------------------------------------------------
Verdade ----------------------------------------------------------------------------
Anjo ---------------------------------------------------------------------------------
Útil ---------------------------------------------------------------------------------
Justiça ------------------------------------------------------------------------------
Tranquilidade -----------------------------------------------------------------------
Decisão ------------------------------------------------------------------------------
Felicidade ----------------------------------------------------------------------------
União --------------------------------------------------------------------------------
Luz -----------------------------------------------------------------------------------
Paz ------------------------------------------------------------------------------------
Ordem --------------------------------------------------------------------------------
Há uma diferença muito sutil entre o Bem e o Mal. Todas as respostas são discutíveis. Vejamos: a ordem pode ser uma clareza desejável ou o fanatismo pela organização, um limitado raciocínio metódico. A decisão pode ser a possibilidade de um desenvolvimento da vontade ou uma necessidade intolerável. O antônimo de amar nem sempre é odiar, muitas vezes é o indiferentismo. Verdade versus mentira pode gerar uma dúvida. _ Na Arte, a mentira, isto é, a ficção, é positiva, é um caminho para se alcançar uma realidade mais abrangente. Filosofar é isto, aprendamos a filosofar.
O fato de nada dizermos ou fazermos em certas circunstãncias às vezes contraria o Bem e nem sempre constitui uma prova de sabedoria. Neste sentido, a passividade, o silêncio não devem servir de pretexto. Aceitar o Mal por omissão é tão culposo quanto praticá-lo.
Lembremo-nos que a maior das liberdades é aquela que permite a todo ser humano aplicar plenamente seu livre arbítrio no respeito às leis humanas e cósmicas.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Nº 10 O Bem e o Mal
Um professor ateu dasafiou seus alunos:
_ Deus fez tudo que existe?
Um estudante corajosamente respondeu:
_ Sim, fez.
O professor replicou:
_Se Deus fez todas as coisas, então fez o Mal, pois o Mal existe e, considerando-se que nossas ações são o reflexo de nós mesmos, Deus é mau.
O estudante calou-se diante de tal resposta e o professor feliz se vangloriava de haver provado uma vez mais que a fé era falsa. Outro estudante levantou a mão e disse:
_ Posso lhe fazer uma pergunta, professor? "Sem dúvida" , respondeu-lhe o professor.
O jovem ficou de pé e perguntou:
_ Professor, o frio existe?
_ Mas que pergunta é essa? Claro que existe. Você por acaso nunca sentiu frio?
O rapaz ponderou:
Na verdade, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física o que consideramos frio é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto pode ser estudado quando transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz que tal corpo tenha ou transmita energia. Criamos esse termo para descrever como nos sentimos quando nos falta o calor. E a escuridão existe? continuou o estudante.
_ É óbvio que sim, respondeu o professor.
_ Novamente o senhor se engana. A escuridão também não existe. A escuridão é, na verdade, a ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão, não. Um simples raio de luz rasga as trevas e ilumina a superfície que a luz toca. Escuridão é o nome que o homem criou para descrever o que acontece quando não há luz presente.
Finalmente, o jovem estudante perguntou ao professor:
_ Diga, professor o Mal existe?
_ Claro que existe. Estamos sempre vendo roubos, homicídios, violência, injustiça... em todas as partes do mundo, essas coisas são o Mal.
Então o estudante concluiu:
_ O Mal não esxiste, professor. ou ao menos não existe por si só. O Mal é a ausência de Deus. È, como nos casos anteriores, um termo que o homem criou para descrever essa ausência de Deus. Deus não criou o Mal. Não é como a fé ou o amor que existem ou como a luz e o calor que existem. O Mal resulta de que a humanidade não tenha Deus presente em seus corações. É como o frio que surge quando não há calor ou a escuridão que acontece quando não há luz
Toda teoria é o embrião de uma história. Aí está um exemplo que a história narrada é um embrião da teoria de que "o Mal não existe por si só, é a ausência do Bem." Vamos desenvolver um pouco a teoria.
Em toda sua existência, o homem se defronta com o problema do Bem e do Mal. Como ele não domina esse problema, comete erros de julgamento e de comportamento, tanto em relação a ele próprio como a outros.
A evolução de nossa personalidade-alma depende da maneira como aplicamos o livre-arbítrio na vida diária pois são nossas escolhas que determinam nosso progresso na senda que nos leva à Iluminação de nossa consciência a animica.
Para determinar essas escolhas é preciso nos aprofundarmos no problema do Bem e do Mal.
Na maioria dos escritos filosóficos, o Mal é definido como o "Não-Ser" ou "ausência do Bem", pois ele não existe no absoluto. Em outras palavras, ele não é a expressão de uma lei cósmica e não corresponde a qualquer realidade espiritual. De acordo com Platão, o Mal "é a negação do que existe e não tem existência virtual". Esse pricípio mostra que o Mal é apenas a contraparte negativa de uma condição positiva que não está manifesta num determinado0 momento. Por analogia, a obscuridade, em qualquer lugar, só se apresenta quando falta a luz. Eliminemos as trevas da ignorância e da miséria com a nossa luz.
O que o homem denomina Mal tem sua origem na imperfeição de sua personalidade-alma e de seu caráter, ou seja, na sua incapacidade de agir de acordo com sua natureza divina. Por consequência, o orgulho é a ausência de humildade, o egoísmo a ausência de generosidade, a hipocrisia a ausência de sinceridade, a intolerância a ausência de tolerância, a coverdia a ausência de coragem etc. É exatamente por essa razão que é impossível vencermos nossos defeitos tentando combatê-los, pois esse combate lhes atribui um poder que eles não têm e fortalece a influência negativa que eles exercem sobre nós. Na realidade, o único meio de neutralizá-los definitivamente é substituí-los aos poucos por suas qualidades opostas. Repetimos: a melhor maneira de combater as trevas é jogar-lhes luz por cima. E o melhor antídoto contra o frio é o calor da fé e do amor.
Se é verdade que o Mal não é a expressão de uma lei cósmica e não corresponde a nenhuma realidade espiritual, não podemos negar sua existência terrestre. Do ponto de vists de sua objetividade, contetarmo-nos em afirmar que ele é a ausência do Bem é inútil e pouco realista, pois essa afirmação não nos permite neutralizá-lo nem nos defendermos dele. As guerras e os crimes são manifestações de seu poder e fazem numerosas vítimas. A corrupção, a desonestidade, o abuso do poder etc. testemunham a efetiva nocividade de certos indivíduos. Contudo, devemos compreender que o Mal nunca é consequência de um decreto divino. Seja qual for sua forma, ele resulta sempre de uma aplicação negativa do livre-arbítrio do homem, tanto no plano individual quanto coletivo. Isto significa que sua fonte está na consciência humana e não na consciência cósmica. Assim Deus não pode ser reponsabilizado pelos efeitos produzidos pelos erros que cometemos. Aliás, não cabe a ele neutralizar seus efeitos, pois se assim fizesse anularia nosso livre-arbítrio e iria contra nossa própria evolução, que é baseada na necessidade de assumirmos as consequências de nossos atos.
Aproveitamos a oportunidade para lembrar que a morte não é um Mal, não é a interrupção da vida, não é seu antônimo. É a radical mudança no modo de viver. Voltaremos a este assumto em outro blog.
Continuaremos dentro da temática do Bem e do Mal no próximo blog.
Neste ano de 2010, atingimos o número 10 de nosso jornalzinho. Vamos festejá-lo com vinhos e queijos. Passamos do átrio da Filosofia para a primeira câmara do templo do Saber.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Nº 9 Mensagem "sui-generis" de Natal
Tentamos publicar este jornalzinho antes do Natal próximo passado, por motivos técnicos, não conseguimos. Pedimos desculpas pelo atraso.
Citamos no blog nº 4 a necessidade de encontrarmos o significado de nossa própria existência e indicamos a obra de Viktor Frankl, que consideramos importante para inspirar-nos no exercício de nossa filosofia epicurista moderna. No momento, é oportuno consultar seu livro Em busca de sentido da Editora Sinodal e Vozes. Aí queremos realçar o capítulo "Arte no campo de concentração", p. 46 e 48. Prisioneiros da 2ª grande guerra no campo de concentração alemão conseguem compensar o desespero por sua morte lenta, num rápido intervalo, apresentando um teatro improvisado, um canto, um poema ou a música de um violino. Imaginem num pano de fundo tão tenebroso a beleza comovente daqueles acordes harmonizantes de poucos minutos!
Felizmente, numa situação muitíssimo melhor, podemos hoje valorizar a arte para enriquecer nossa mensagem ao Menino Jesus, o Divino Salvador, o aniversariante de 25 de dezmbro, ofuscado por Papai Noel,carregado de mercadorias e tão endeusado. Mercadorias que quase sempre introjetam falsas necessidades na sociedade.
A poesia nos coloca pertinho de Deus, por isso vamos apresentar alguns poemas.
Sou Garimpeira(com a palavra Anna)
Escrevo, escevo, escrevo
compulsivamente.
Garimpo as pedra preciosas
que botaram dentro de mim.
Elas vêm com o barro da terra.
Eu as seleciono, preparo, guardo
e publico.
Eu, a poeta-garimpeira, não sei
agradar o público que gosta de bijuterias.
Mas não posso parar.
Minha bateia vive cheia.
Ouvindo a música de Marcos Ariel, Dança das Marcelinhas, compusemos o seguinte poema:
Vida
Marcelinha amarela,
hoje me vesti de amarelo
para dançar com você,
para amar você.
Sou Adarovla, a alvorada.
Olhe o vento no meu nome.
Olhe a sinfonia da cachoeira.
Olhe os trigais maduros,
povoados de gnomos etéreos.
Marcelinha do meu coração,
seus olores louros
entram nas minhas narinas.
Vou beijar seu pólen,
minha luz vai engravidar você
de verdades e venturas,
nesses tempos sem verdades.
Nascem outras marcelinhas.
criancinhas douradas
que vão continuar o bailado
da vida.
Uma oportuna reflexão:
Filosofia da Informática
"Os mortais acreditam ser máquinas físicas que aprenderam a pensar, Na verdade eles são pensamentos que qprenderam a criar uma máquina física."
CHOPRA, Deepak. O caminho do mago.
Deus é o computador maior.
Imune a todos os vírus,
sabe tudo e cobra tudo,
tem a memória de todas as memórias,
está aqui e ali,
é o outrora, o hoje e o porvir.
Velocidade tão grande
que está em todos os tempos e lugares
no atemporal e no anespacial.
Mas o computador-máquina não é um Deus menor.
Deus está tanto no grande como no pequeno.
Tanto o pequeno como o grande estão em Deus.
O computador-máquina não é um Deus,
é uma forma de energia que flui.
Nem sempre construtiva.
Tudo é imitação da obra divina.
O homem tembém é um micro
onde cabe um macro.
Cuidado com o vírus!
Somos em Deus, estamos em Deus,
estamos no ser cósmico.
Este poema que acabamos de transcrever nos levam ao questionamento sobre o Bem e o Mal e é um início para o estudo sobre a meditação mística que serão temas de outros blogs.
Agora, dois poemas e uma pequena crônica mais especificamente sobre o Natal.
Natal
Quando sinos repicarem
Quando taças se erguerem
Quando mãos se apertarem
Vamos pensar que ainda é possível
A paz entre os homens
Porque Jesua nasceu a semear o amor
As estrelas caem em chuva
Sobre o abrigo improvisado
Todas as forças da Terra
Do Leste e do Oeste, unidas
A todas as forças do Céu
Se irmanam
Recomeçamos a viver no influxo
De uma nova gnose que nos leva
Ao Vinho
Ao Trigo
À Alquimia
O Natal é mais que a mesa posta
Que os cacos coloridos dos shops
Que o perambular coisamente
Pelos supermercados
Queremos do Natal
Uma luz interna
Brilhando como jóia rara
a destruir a inércia
Queremos um amor que seja ação
Natal
Luzes efêmeras, fugazes, faiscantes
presentes frívolos, fúteis
alegrias fantasiosas, camuflantes.
Sopro que passa.
Num só dia? Não é Natal.
Ah! a paz, a paz!
Paz na Terra
Onde estão os homens de boa vontade?
Natal é a presença da luz do Leste
de onde veio Jesus.
Natal
Se você quiser, é Natal todos os dias em sua casa. Se você amparar: o índio e o negro com sua história de sofrimento, a mulher desvalida, a criança abandonada, todos os despossuídos de emprego, de renda, de educação, de saúde, de cidadania. De carinho!
Aí você estará abrigando o Menino de Belém.
E, para finalizar, oferecemos os dizeres de uma carta do "tarô do amor", fugindo dos estereótipos:
Tente se livrar dos conceitos preestabelecidos para "amor" e procure uma concepção pessoal. Procure manifestações de amor em outros níveis da natureza, como nos reinos vegetal, animal e mineral. Escreva sobre o assunto e divulgue.
domingo, 1 de novembro de 2009
Nº 8 Dialogismo
Flamboyants se enfileiram no espaço urbano. Na primavera e já anunciando o verão, alegres e nos alegrando com a exageração de seu vermelho. Um dia, eles nos inspiraram o seginte poema já publicado no livro de poesias Laços:
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxEu e o Flamboyantxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Procuro em cima do muro as flores de fogo
só há galhos murchos em vez das flores de fogo.
A voz da cachoeira, dos pássaros, da brisa confirma:
"O processo não falha, voltarão as folha de fogo".
Nem pétalas, nem vermelho, nem olores
no inverno da vida , também espero pelo fogo das flores.
Vão embora no outono e voltarão no verão. Sinalizam o movimento cíclico do mundo: o dia e a noite, os meses e as estações do ano, o nascimento, a morte e o renascimento et coetera. Vão e voltam. Expandem-se e contraem-se.
Podemos comparar com o movimento cíclico descrito no Bhagavad Gita se bem que neste há a incalculável magnitude de 4.320.000 anos solares entre uma expansão e uma contração.
O Bhagavad Gita é o livro sagrado do hinduísmo. O período de fluxo e refluxo eterno é nessa religião denominado Kalpa. Trata-se do período de atividade criadora que se repete cada 4.320.000 anos solares. Chamam também este fenômeno Dia de Brama ou Respiração de Brama. O deus Brama inspira mundos e expira mundos.
Diz o deus Krishna: Ao terminar a noite de um tempo, todos os seres e todas as coisas retornam a mim: ao início do novo dia de outro tempo emano de mim todas as coisas e todos os seres, dando-lhes nova existência.
Saindo do Oriente para voltar ao Ocidente, vamos ouvir Pitágoras (582-497 a. C.), um dos maiores filósofos pré-socráticos. Seus ensinamentos são herméticos, de difícil entendimento mas a teoria que chamou de tetractys é um pouco mais acessível e está em consonância com o que estamos escrevendo. Ele diz que o Um se irradia e se torna múltiplo. Dessa UNIDADE nasce a pluralidade, a diversidade, o antagonismo aparente. Depois contraindo-se, reúne-se novamente no Um. Para a Escola de Crotona essa transcedente metafísica é representada pela "tetractys": 1+2+3+4=10. Dez é o numero perfeito, por representar o Um multiplicando-se , expandindo-se, depois contraindo-se até formar nova unidade: 10-4-3-2=1.
O ritmo de nascimento e morte, expansão e contração, fluxo e refluxo é eterno e repete-se em todas as manifestações naturais neste nosso planeta Terra. É a "Lei do Eterno Retorno", que às vezes se verifica em períodos de tempo incomensuráveis e por nós desconhecidos.
A "tetractys" de Pitágoras demonstra este fenômeno matematicamente e podemos observar que seu simbolismo generaliza-se.
Por exemplo, está presente no Gênesis através do mito de Adão e Eva, os arquétipos da humanidade. O casal-símbolo foi tentado pela compulsão do conhecimento a provar o fruto da árvore do Bem e do Mal, o saber secreto que daria ao homem os poderes para os quais ainda não estava preparado. Foi expulso do paraíso, onde vivia em estado de imaculada pureza e decaiu nas trevas do materialismo, do erro e da provocação. Saiu do inconsciente e retornou em espiral evolutiva, purificado para a luz da consciência, do conhecimento do Bem. Executou o caminho do Um de sua origem para o múltiplo de sua individualização e voltou à unidade.
Vale lembrar que as histórias bíblicas são mais simbólicas que uma descrição verídica dos fatos. Os mitos da Bíblia encontram-se também no fundamento de outras religiões da antiguidade, na doutrina dos filósofos iniciados e no cristianismo.
O dilúvio foi uma tsunami quando não havia a mídia para noticiar e explicar o fato nem havia os atuais conhecimentos da geologia. Outros inúmeros exemplos semelhantes podemos encontrar, se nos dispusermos a pesquisar a simbologia religiosa.
É importante saber que não são afirmações mentirosas, são alegorias que ocultam um significado profundo.
A respeito do movimento cíclico, comentado com apoio no Bhagavad Gita e na teoria de Pitágoras, o filósofo Heráclito (540-470 a. C.), referindo-se ao núcleo de energia universal, diz que é a "fonte principal inesgotável da qual tudo brota e à qual tudo regressa". Sobre a lei da transformação do ser, diz: "Toda morte é nascimento numa nova forma, todo nascimento, a morte de uma forma anterior; todas as coisa se transformam a cada momento, nada é estável, tudo está em eterno movimento".
Uma das diferenças entre Heráclito e Pitágoras, ambos gregos e pré-socráticos, é que o último se ligou a teoremas matemáticos e a dogmas religiosos como a metempsicose ou transmigração das almas. Ele revitalizou a religião órfica, criando um movimento religioso que corresponde, na época cristã, ao que se pode denominar espiritismo: "Tudo que nasce torna a nascer nas revoluções de um determinado ciclo, até se libertar efetivamente da roda dos nascimentos".
Já Parmênides baseava-se na crença de que a realidade é eterna e intemporal, era o Ser , e por conseguinte, toda mudança é ilusória. Daí infere que não existe o que chamamos de movimento das coisas. Resumia sua filosofia em: o Ser é e o não ser não é. Sua mentalidade era metafísica.
Mas se notamos as mudanças e a impermanência nossa e do mundo em geral é bom que as encaminhemos para que nos levem a autotranscedência que inclui a evolução e a criatividade.
É preciso observar que o nosso sistema sócio-político é ecocida, geocida e homicida. Nele presenciamos as "Infelizes mutações" como as seguintes:
A árvore solitária,
no alto do morro ,
está contorcida.
As raízes à mostra.
A máquina de fabricar edifício
em ação.
A árvore já caiu.
Quase ninguém viu o óbvio.
Caiu agora.
Os galhos ainda não secaram,
se esticam e dão o último
adeus.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)