- Os incentivos do verão ocuparam um pouco nossas reflexões para redigir o 31º blog de nossa produção. Não procuramos isolar-nos numa "torre de marfim". Estudamos as festas do verão brasileiro inclusive o carnaval. É uma brasa... no Brasil.
- O fogo do Sol, o calor infernal, as orgias, a liberação desordenada dos instintos, o excesso de bebidas , uma certa nudez exibicionista, o culto exagerado à matéria, especialmente no carnaval são alguns fatos que justificam ser o verão em certos lugares regido pela carta nº 15 do tarô , o Diabo.
- O Diabo está solto no verão. Mas ninguém se assuste , pense primeiro na ambiguidade do arcano nº 15: ele é Satanás , mas também é Lúcifer, o portador da luz. Em nossa cultura há desprezo pelo material, ao qual se associa o Diabo, sentimento vindo da Idade Média , quando o tarô chegou à Europa.
- Porém, as religiões antigas consideravam que a energia espiritual e sexual eram a mesma. O uso indevido de uma ou de outra é que gera o mal, a perversão. No Antigo Testamento, o próprio Jeová diz: "Eu sou o Senhor e não há mais ninguém. Formo a luz e a escuridão. Faço a paz e crio o mal: Eu, o Senhor, faço todas as coisas ."
- Psicólogos afirmam que o descuido pelo lado demoníaco do homem é a principal causa das desgraças do mundo de hoje. Nossos instintos reprimidos e não trabalhados, agora explodem em forma de guerras, crimes, destruição geral. Diante do desequilíbrio atual, é imperativo um acordo com a força diabólica . Estamos na era da relatividade, há uma relativização entre o bem e o mal, não se sabe onde começa um e acaba o outro. Jung, em a Interpretação do dogma da Trindade, admite uma quaternidade arquetípica, onde o diabolus seria o quarto elemento, opondo-se ao Filius.
- O homem é uma alma que se consubstancia no corpo. A carta nº 15 se imiscui em nossas vidas no verão e mesmo nas outras estações. Não escapamos de vivenciá-la. A matéria não é má, mau é o uso que muitas vezes fazemos dela. Se enfrentarmos os fantasmas do inconsciente, não nos furtaremos a receber o lado luz do arcano nº 15: o êxito nos estudos, no trabalho e para ganharmos dinheiro, o vigor físico, a versatilidade, o magnetismo pessoal.
- Que o calor, o renovar de energias, as horas de folga, de confraternização, de encontros amorosos no verão nos façam refletir sobre o destino da natureza humana. E já não sendo mais ingênuas criancinhas presas aos códigos superpostos da cultura, assumamos a responsabilidade em face da inquietante frase de Sartre:"Estamos condenados a ser livres." Nosso corpo é uma flauta onde Deus sopra , não deixemos nossa flauta desafinar no estuante e pleno verão!
- Não somos alienados. Temos uma consciência clara e adogmática dos fatos. Arejamos nossas ideias e assim chegamos a estas conclusões necessárias e que acabamos de passar a nossos leitores.
- Voltaremos, como prometemos, ao tema que iniciamos no blog Nº 30.
- Uma das manifestações do "capetalismo" está na muito doce canção do consumismo. Ela é falsa e insistente.
- Observemos:
- Tome cerveja, tome cerveja numa propaganda linda e insinuante. Bem rapidinho o aviso: Se dirigir, não beba.
- A aids é contagiosa e perigosa. O aborto é crime. Mas, seja atraente e sexy com tal ou tal produto de beleza. Assista a filmes, novelas, programas da mídia para preencher o vazio da sua vida. Ligue a Internet e veja dezenas de sites pornográficos. Fulana de Tal nua na Playboy. Bata o pezinho, faça beicinho e leve seu namorado para o Motel Snob.
- Remédios e aparelhos para emagrecer, ao mesmo tempo, uma irresistível gastronomia.
- Et coetera, et coetera... Continue esta análise, é um excelente exercício.
- Na propaganda tudo vai bem no melhor dos mundos possível. É o otimismo da mentira, não gosta do não, nela há uma profusão de sins, de sorrisos, de sensacionalismos, de qualidades indiscutíveis. É a linguagem apelativa a serviço de para angariar o lucro comercial ou de fazer o receptor um homem comportadinho para ajudar a manutenção do sistema social e não abalar o bem-estar das classes privilegiadas.
- A dominação, a compulsão repetitiva, os fluxos utópicos por ela produzidos são sempre suspeitos.
- A moderna tecnologia de comunicações de massas, os fundos generosos da empresas e dos governso interessados na propaganda hipertrofiaram seu valor e atuação.Para isso intensificaram-se o aperfeiçoamento de suas técnicas, as pesquisas junto a grupos sociais, com o fim de estudá-la e ela constitui-se uma ciência de gabinete.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Nº 31 Verão no Brasil
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Nº 30 A doce canção do consumismo
Como dissemos no blog nº 28: Temos que decidir ser múltiplos sem perder nossa unidade com o Todo, de onde viemos. A individualização é dramática. Corremos o risco de nos perdermos na prostituição da aparência.
Chegamos à conclusão que reintegrar o múltiplo na unidade é um dos maiores problemas humanos, desde o pecado de Adão e Eva no Paraíso.
Buscando amenizar este problema, partimos da reflexão sobre o Ser e o Ter, que muito se comenta e nada se resolve. Hoje, no Ter, no consumismo, reside a maior manifestação exagerada do múltiplo.
O ser humano é o verbo. Emana do Ser Essencial (Deus), que é o Substantivo, efetiva-se Nele para funções da Vida Dele. A vida do ser humano é parte da Vida do Ser Essencial e subsidiária a esta. Todas as vezes que nos distanciamos desta nossa função superior, transcendente, ligada ao Ser Essencial e nos dedicamos exclusivamente, numa atitude egocêntrica, às coisas e fenômenos puramente físicos, sem vida, entramos em desequilíbrio e desequilibramos o mundo. Todas as vezes que esquecemos nossa origem divina, que nos entregamos completamente ao prazer material, que nos coisificamos nos shops, mercados, no mundo do consumismo, da robotização, somos infelizes, porque perdemos nossa reintegração na unidade.
Para sermos unos, como corolário de nossas proposições, resumimos o seguinte:
- manter a solidariedade, o poder mental, a alegria de viver;
- manter atitudes, ações e ideias de presevação do habitat natural do ser humano e dos demais seres vivos;
- procurar resolver nossos problemas sociais como o tratamento do lixo, o cuidado especial com a água, o combate enérgico às injustiças sociais;
- não perder a criatividade sadia e construtiva;
- exercer uma obra assistencial, acabar com a fome, a miséria, os vícios etc.
Tudo isto concretamente, num plano, resoluções e comportamentos concretos. O abstrato encobre covardemente a necessidade de assumir uma posição.
Até aqui fizemos um preâmbulo para enfrentar os acordes insidiosos da "doce canção do consumismo".
Agora, num enfoque eminentemente sócio-cultural, tentaremos dar explicações pertinentes a nosso tema.
Uma das condições fundamentais da Revolução Industrial que se deu nos séculos XVIII e XIX foi a substituição do trabalho artesanal pelo trabalho assalariado, baseado na utilização das máquinas. No primeiro, a eficiência depende da habilidade profissional de cada trabalhador , ao manejar suas ferramentas , isto é seus instrumentos de trabalho. No segundo, a qualidade do trabalho depende menos da habilidade profissional de cada trabalhador que da máquina. O trabalhador perde muito de suas potencialidades humanas e passa a ser um apêndice da máquina e um fator de multiplicação dos lucros capitalistas.
A explosão populacional, consequência da Revolução Industrial, é outra condição nova para a humanidade.
Séculos e séculos se passaram para que a população global da Terra atingisse um bilhão de habitantes, o que se deu em l830. Daí bastaram apenas cem anos para que esse número dobrasse; dois bilhões de habitantes em 1930. Três décadas depois, em 1960, já éramos três bilhões de habitantes. Em 1975, somávamos quatro bilhões. Crescemos em proporção geométrica, gerando graves problemas para todos aqueles que se preocupam com o futuro da humanidade. E assim continuou. Em 1998, seis bilhões de pessoas. Agora, em 2011, 7 bilhões de habitantes. Como alimentar bilhões e bilhões de pessoas que estão e estarão sobre a Terra? Como educá-las, dando-lhes oportunidade de usar o legado cósmico a que têm direito em virtude de possuírem uma personalidade-alma?
Não é vivendo alienados aos problemas da humanidade que vamos entrar na "nova era", não somos criaturas excepcionais, à margem do mundo, os problemas estão também em nós, fazemos parte deles e temos que nos ocupar em resolvê-los. Irritação e preocupação, não, mas ocupação , sim. Uma séria e constante ocupação tem que ser nosso lema, sem perder o sentido lúdico da vida.
Não é alhear-se ao mundo objetivo, ao corruptível e viver no mundo incorruptível que faz o homem alcançar a paz e manifestar o contetamento sincero. Para que o alheamento da consciência a nossos conflitos possa ocorrer, uma desalienação se impõe como uma árdua, longa e ardente conquista. O alheamento não pode ser alienado.
O avanço tecnológico que proporciona ao homem a possibilidade de reinstalar-se no mundo e aperfeiçoar-se tem sido também uma causa para sua mecanização e desumanização.Tem sido utilizado mais para fins materialísticos que espiritualísticos. Mesmo as pessoas ditas religiosas , na maioria das vezes, têm uma visão sectária da religião e o que desejam , no fundo, é comprar um pedaço de Paraíso para depois da morte.
Consideremos que com tamanha explosão demográfica, com o cerceamento da criatividade, com a massificação do trabalho, mais atento ao valor da troca que ao valor de uso das mercadorias, somos seduzidos pela canção das sereias. Não conseguimos nos amarrar no mastro do navio como fez Ulisses na Odisséia.
A "doce canção do consumismo" lança em nossa mente seus acentos insidiosos por toda parte: nos ônibus, nos cartazes da rua, em nossos lares através do rádio, da televisão, da Internet etc. etc.
Com o acréscimo dos signos visuais e musicais aos signos verbais, ela aumenta seu poder, as imagens passam através da rede das nossas disposições e valores conscientes e convocam reações sub e hiperliminares, isto é, reações motivadas por associações traiçoeiramente induzidas ou provocadas pela mobilização ostensiva dos seus meios de fascínio como num ritual religioso ou num show de rock.
Continuaremos a desenvolver o mesmo tema no próximo número.
sábado, 27 de agosto de 2011
nº 29 A inteligência trágica na poesia de Augusto dos Anjos
Continuamos estudando Augusto dos Anjos, o poeta da estética do horrível, pois o horrível também pode produzir beleza.
A fisiologia atual do cérebro descobre uma ligação entre a excitação de centros nervosos topograficamente distanciados e a agitação emocional. As dissonâncias unem imagens díspares, fazem a excitação destes centros nervosos distanciados.
A poesia de Augusto dos Anjos está repleta de idéias chocantes , de dissonâncias fono-léxico-semânticas. Não busca somente nadar contra a corrente, no sentido formal de protesto contra a lisura e a harmonia do verso convencional, mas antes deseja representar enfaticamente fatos significativos de sua vida cheios de contradições , estremecidos pelas lutas, patéticos.
Influências mesológicas e sociais, como a decadência econômica por que passava o Nordeste Brasileiro, a formação cultural do poeta, seu temperamento, sua psique, sua doença propiciaram a criação de uma obra literária que apavora os leitores choramingas e sentimentalóides. Ler a sua obra é combater a preguiça mental.
O poeta surpreende-se frequentemente diante de uma vida sem amor, sem grandeza, sem explicação e ameaçada pela morte, pois foi tuberculoso numa época em que a tuberculose não tinha cura. Morreu aos 30 anos de idade. Em busca do unívoco e do absoluto, debate-se na solidão, entre as ambiguidades e contradições do mundo e um deus mudo e escondido. Vemo-lo às voltas com suas apreensões, motivadas pelas descobertas de suas contigências que são basicamente as contigências da criatura humana: perder-se na "teimosia da multiplicidade", não sabendo regressar à unidade.
Não conta suas penas para outra pessoa. Parece que se dirige à divindade e esta não lhe dá atenção. O pensamento não pode desprender-se das redes que o proíbem de saber a razão de sua perda. Pode-se dizer que se conserva como o Édipo de Sófocles num discurso emocional que exprime sua incapacidade de compreender, de ter uma resposta sobre algo que o transcende. Melhor definindo, é um grito próximo de um solilóquio. O eu-lírico o mais das vezes, vai gritando sozinho, sob os maus tratos do destino, não se cansa de apontar o mecanismo terrível do mundo que o mutila mas não se desvenda.
Apoiados n'A origem da tragédia de Nietzsche, que deve ser estudada à parte, bem como o Eu e outras poesias de Augusto dos Anjos e sua biografia, consideramos a mencionada obra poética "uma trágica festa emocionante", aproveitando uma expressão que o próprio autor usou no poema "Monólogo de uma sombra". O sofrimento e a destruição do indivíduo causando o prazer metafísico trazem instintiva e inconscientemente a sabedoria dionisíaca em linguagem de imagem. O herói da tragédia, a maior aparição de vontade, por ser apenas aparição, não prejudica com sua destruição a vida eterna da vontade. Nietzsche toma vontade aí num sentido ampliado e inesperado, como fez o filósofo Schopenhauer, englobando todas as forças do mundo e da natureza.
Com uma alegria embriagante combinada com um prazer apolíneo, proporcionado pela organização parnasiana dos versos e, ao mesmo tempo, realçando os comentários filosóficos que estamos tecendo, transcreveremos três poemas de Augusto dos Anjos . Procuraremos reproduzir a ortografia que ele usou.
VOX VICTIMAE
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Morto! Consciência quieta haja o assassino
Que me acabou, dando-me ao corpo vão
Esta volúpia de ficar no chão,
Fruindo na tabidez sabor divino!
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Espiando o meu cadáver resupino,
No mar da humana proliferação,
Outras cabeças apparecerão
Para compartilhar do meu destino!
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Na festa genethliaca do Nada,
Abraço-me com a terra atormentada
Em contubernio convulsionador...
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E ai! como é boa esta volúpia obscura
Que une os ossos cansados da Creatura
Ao corpo ubiquitario do Creador!
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Nota-se o prazer erótico do poeta ao exaltar-se numa busca festiva de união com a terra e o Criador. A vítima tem a alegria em ser imolada, encontra o prazer pelo aniquilamento e pelo retorno ao seio do Uno-Primitivo, nas palavras de Nietzsche. É a aliança fraternal da arte pela excitação tanto apolínea quanto dionisíaca. "Que a mais alta expressão de dor estética/ Consiste essencialmente na alegria -nos diz o poeta no "Monólogo de uma sombra".
LOUVOR À UNIDADE
Escaphandros, arpões, sondas e agulhas
Debalde applicas aos heterogeneos
Phenomenos, e, ha innumeros millenios,
Num pluralismo hediondo o olhar mergulhas!
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Une, pois, a irmanar diamantes e hulhas,
Com essa intuição monística dos gênios,
À hirta fórma fallaz do 'oere perennius'
A transitoriedade das fagulhas!
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_ Era a estrangulação, sem retumbancia,
Da muti-millenaria dissonancia
Que as harmonias sideraes invade...
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Era, numa alta acclamação, sem gritos,
O regresso dos átomos afflictos
Ao descanso perpetuo da Unidade!
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Para Augusto dos Anjos, o encontro com a Unidade prende-se ao monadismo, ao desejo de encontrar a unidade perdida.
Também revelando a alta literariedade de sua obra e sua incontestável inspiração de artista, transcreemos "O lamento das coisas ":
Triste a escutar, pancada por pancada,
A successividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O chôro da Energia abandonada!
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É a dor da Força desaproveitada,
- O cantochão dos dynamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!
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É o soluço da fórma ainda imprecisa ...
Da transcendência que se não realisa...
Da luz que não chegou a ser lampejo...
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E é, em suma, o sub-consciente ai formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!
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Pensamos que o poeta foi um paragnosta que, hoje, poderia ser tratado e estudado pela Parapsicologia. Entretanto, nasceu na Paraíba no ano de 1884...
No blog nº8, Dialogismo, dialogamos com o"Bhagavad Gita",livro sagrado do hinduísmo, com Pitágoras, Heráclito, com o mito de Adão e Eva na Bíblia, para refletirmos sobre a unidade e a multiplicidade. Leia-o. Mostramos nossa contigência em buscar o entrelaçamento de unidade e multiplicidade . Apresentamos a mesma busca no blog anterior a este, nº 28. Discursos diferentes, atitudes diferentes para, em essência, expressarem uma só verdade.
Francis Bacon(1561-1626), considerado o Aristóteles da Idade Moderna, afirmou que:
A poesia dramática é a que melhor pode retratar as paixões humanas com finalidade educativa, ao colocar em cena não só indivíduos mas também conceitoa gerais abstratos.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Nº 28: Unidade, multiplicidade, unidade
Estivemos relendo os blogs já publicados e fazendo outras pesquisas para os próximos, por isso, atrasamos um pouco com este número e, de acordo com nossa seleção, resolvemos o seguinte:
Voltamos à temática da Prosperidade, lançando um poema da autoria de Anna, "Sintaxe do pronome meu", que sempre causa uma grande polêmica.
Não tenho terras
Não tenho árvores
Não tenho casas
Não tenho cama
Não tenho livros
Não tenho família
Não tenho computador
Não tenho celular
Não tenho roupa
Não tenho pão
Não tenho ninguém
Nem sequer um copo d'água
Nem a luz da imaginação
Tudo é dádiva de Deus
que retenho por enquanto
no encanto do momento e do entretanto,
pertence a toda a humanidade.
Esta é a Lei: não existe propriedade.
Mas existe prosperidade.
Não me importo se a rima não agrade.
Quando dizemos "meu",
prendemos o alheio numa grade.
Melhor que suar para competir
é harmoniosamente soar para construir.
Não tenho flores
só tenho amores
só tenho amores.
Sou filha do Universo
e o Universo toma conta de mim.
Será que estamos desprezando o individual? Em absoluto, não estamos. Mas, não podemos esquecer a incalculável influência do coletivo.
Yung foi o primeiro que falou sobre o inconsciente coletivo e deu o nome de self (si mesmo) à totalidade da psique e não apenas a um centro profundo. O confronto entre o consciente e o inconsciente produz um alargamento do mundo interior, do qual resulta que o centro da personalidade, construída por um longo labor, não coincida com o ego. O homem torna-se ele mesmo, um ser completo, composto de consciente e inconsciente, incluindo aspectos claros e escuros, masculinos e femininos, seu mundo abraça valores mais vastos, absorvidos principalmente do imenso patrimônio que a espécie penosamente acumulou em estruturas fundamentais.
O desenvolvimento da personalidade progride em direção a um centro, um núcleo energético que se revela existente no fundo mais íntimo da psique. É um estudo muito complexo e inesgotável. Por ora, só queremos esclarecer que no self podemos também reconhecer nossa própria sombra.
Penetra-se, assim, num reino tão perigoso quanto as profundezas do oceano, pois aí moram, como afirmamos, aspectos sombrios de nossa personalidade, por exemplo, o medo, a raiva, a ansiedade, a violência. Para combatê-los, o caminho mais aconselhado é a religião. A religião, porém, não consegue derrotar a sombra, muitas vezes, a torna mais poderosa. Para se combater o Mal, lembre-se, tem que se desenvolver a ideia e os procedimentos que nos levam ao Bem. Temos que jogar luz em cima das trevas, colocar em prática nosso potencial divino, tornar nossa consciência iluminada, em cuja presença toda escuridão automaticamente desaparece.
O self é o eu real, ele está além do Bem e do Mal. A sombra perde o poder quando a consciência para de se dividir. É bem verdade que temos de formar nosso self individual, com necessidades, impulsos, tendências, desejos, sonhos e temores que nos são especiais mas que não nos separam do mundo. A noção que criamos nossos selfs isolados, separados, é uma ilusão. Sempre penetramos um vasto reservatório humano de aspirações, sentimentos, mitos. Repetimos: esta inconsciência compartilhada é onde reside a sombra, que só será má, se não soubermos tratá-la. Compartilhar com todo o mundo é fundamental para nossa sobrevivência. Sabe-se de sobra que nenhum homem é uma ilha, ele pode sempre declamar a "Sintaxe do pronome meu".
Podemos notar a presença de nosso self coletivo em diversas oportunidades. Por exemplo, quando nos identificamos com nossa nacionalidade, quando um desastre cometido em lugares e com pessoas que não conhecemos, nos afeta pessoalmente, quando nos oferecemos como voluntários numa comunidade, quando entramos num partido político, quando pedimos apoio da família e amigos etc.
O poeta Mário Quintana nos ajuda e entender o exposto neste blog, com a seguinte afirmativa:
"Olho em redor do bar onde escrevo estas linhas. Aquele homem ali no balcão, caninha, após caninha. Nem desconfia que se acha conosco desde o início das eras. Pensa que está somente afogando os ploblemas dele, João da Silva. Ele está é bebendo a milenar inquietação do mundo."
O inconsciente é nosso destino, dele não podemos livrar-nos. Temos o direito de escolher, mas o inconsciente é que nos faz escolher. E não se anula o consciente, que nos permite o livre arbítrio para vivermos o que foi escolhido da melhor maneira.
Temos que decidir ser múltiplos, sem perder nossa unidade com o Todo, de onde viemos. A individualização é dramática. Corremos o risco de nos perdermos na prostiruição da aparência.
Gerd A. Bornheim em O sentido e a máscara. São Paulo: Perspectiva, 1975, p.77, cita um pensador pré-socrático, Anaximandro: "Todas as coisas se dissipam onde tiveram sua gênese, conforme a culpabilidade; pois pagam umas às outras castigo e expiação pela injustiça, conforme a determinação do tempo." Explicando-se diz que Anaximandro nos apresenta a multiplicidade de uma forma altamente dramática, como culpa e injustiça. A isenção da culpa e da injustiça se faz através da reintegração na unidade, que resolve em si o múltiplo.
O mesmo teórico continua na p. 78 do mesmo livro citado: "Para os pré-socráticos, unidade e multiplicidade são formas de ser, e o ser é a 'physis', a natureza. A 'physis' estendo-se ao todo do real, permite compreender unidade e multiplicidade, pois ambas são interiores à natureza. Vale dizer que a 'physis' está presente em tudo o que é, se manifesta no real, mas de diversas maneiras . E o modo de ser da multiplicidade, na medida em que se afirma como tal e não reconhece a unidade no ser, faz com que troque o ser pela aparência do ser. No fragmento 112, Heráclito diz que a sabedoria consiste em 'agir conforme a natureza, ouvindo a sua voz.' A recusa em ouvir a voz da 'physis' ou a teimosia da multiplicidade que se afirma como independente e se recusa a confessar a unidade de todas as coisas , é o princípio do pseudos, do erro gerador de culpa e injustiça (Heráclito,fr. 50). Nesse sentido é que a aparência deve voltar a integrar-se no ser . A compreensão da sabedoria como um saber escutar a voz do ser é patrimônio comum da filosofia pré-socrática. "
No próximo jornal, apresentaremos alguns poemas de Augusto dos Anjos, autor que ao visualizar a unidade se excita exageradamente, não sabendo entrosá-la com a multiplicidade, tornando-se trágico. as asas são de cera e se derretem como as de Ícaro.
sábado, 16 de abril de 2011
Nº 27 A Páscoa
Não vamos dar sugestões para os passeios nos feriados da Semana Santa nem tão pouco dar receitas culinárias ou popagandas de ovos de Páscoa gostosos e baratos...
Vamos fazer uma abordagem original dessa comemoração tão festiva.
Começamos pela etimologia, porque dizem que a etimologia é o verdadeiro. Páscoa vem do hebreu: pessahh, passagem , passando pelo latim: pascha, atis, s. n. No período da Páscoa, comemora-se entre os cristãos a passagem da morte de Jesus Cristo na cruz para a ressurreição.
Pretendemos pesquisar sobre esta passagem na vida de Jesus. O cristianismo oficial nada diz sobre dois períodos da vida de Jesus; o primeiro vai de sua infância até o dia de sua apresentação diante dos doutores no templo e o segundo, desde este acontecimento até o início de sua missão na Terra Santa. O silêncio da literatura cristã acerca desses dois períodos suscitou inúmeras polêmicas que geraram críticas severas a toda a história da vida de Jesus. Muitos, por causa dessa duas lacunas, não hesitam em afirmar que os verdadeiros fatos vivenciados por Jesus nunca foram contados.
Confiamos desconfiando do texto da Bíblia, reconhecemos que ele é uma obra literária, escrito em versículos, cheio de lentes de aumento, metáforas e lacunas.. Repetimos que não temos certezas inabaláveis. Entretanto, procuramos caminhar em direção ao Verdadeiro.
Assim sendo, de acordo com nossas pesquisas em certas histórias religiosas, deduzimos que Jesus foi condenado à morte por motivos políticos. A agitação dos judeus da Palestina , suas esperanças e intençãode se livrarem do jugo romano vinham suscitando grande inquietação em Roma. Os seguidores fanáticos de Jesus o chamavam de "Rei dos Judeus". Isso gerou uma situação gravíssima que foi a causa real de sua crucificação. Jesus pregava um socialismo sagrado, com o qual o imperialismo tirânico de Roma jamais poderia concordar . O divino Mestre continuava curando e ensinando com a maior calma do mundo. Temos que louvar a majestade dessa alma que conseguia agir assim, sabendo o destino que o aguardava.
Sobre sua crucificação e ressurreição, muitos creem e nós cremos que ele não morreu crucificado, encontrava-se muito mal , desmaiado mas o cordãode prata ainda não fora rompido
Explicamos: Tibério enviara a Pilatos com seu selo pessoal um documento, ordenando cancelar o mandado de prisão de Jesus . Pilatos, pensamos que muito feliz porque Jesus anteriormente tinha curado a distância uma doença da sua mão, mandou imediatamente um mensageiro aos encarregados da crucificação, informando-os dessas decisões e ordenando que suspendessem o suplício de Jesus e que se fosse necessário o levassem a um hospital. Foram os Irmãos da Fraternidade Essênia, pessoas de muito prestígio, que tinham intercedido junto ao Imperador para que o absolvessem. Aliás, ele contava com a ajuda desta Fraternidade , à que pertencia juntamente com seus pais, José e Maria, e esta ajuda custou a chegar. Assim, a frase que pronunciou na cruz conhecida como "Eloi, Eloi, lama sabachthani?", traduzida por "Pai, Pai, por que me abandonaste?", em arquivos confiáveis as palavras escritas são: "Heloi, Heloi, lama sabachthani?", "Helios, Helios, por que me abandonaste?" Helios refere-se aos Irmãos do Templo de Helios, onde ele fora iniciado no misticismo. Naquele momento de intenso padecimento, não tinha ciência de tudo que estava sendo feito por ele e, provavelmente, sentiu falta do auxílio dos essênios
Quando tiraram Jesus da cruz, viram que ele ainda estava vivo: o sangue fluía de suas feridas e seus ossos estavam inteiros, apesar da ordem que os soldados romanos tinham de quebrarem os ossos dos crucificados para que não vivessem. Não o fizeram porque o documento de Tibério mandava que salvassem Jesus.
Portanto não houve ressurreição e sim um restabelecimento que lhe foi proporcionado pelos cuidados dispensados por José de Arimatéia , nome citado no Evangelho com os seguintes dizeres:
Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles . Originário de Arimatéia,cidade da Judéia,esperava ele o reino de Deus. Foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Ele o desceu da cruz, envolveu-o num pano de linho e colocou-o num sepulcro, escavado na rocha, onde ainda ninguém havia sido depositado. Era o dia da Preparação e já ia principiar o sábado. As mulheres que tinham vindo com Jesus da Galiléia , acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado. Elas voltaram e prepararam aromas e bálsamos. No dia de sábado, observaram o preceito do repouso. ( A Preparação ou a vigília do sábado se contava a partir do por do sol do dia precedente). Lc. 23, 50 a 56.
É fácil descobrir: No domingo, não encontraram o corpo de Jesus na "sepultura" porque José de Arimatéia tinha-o retirado para reanimá-lo.
Seria bom que relêssemos também no Evangelho: O caminho da cruz, Ressurreição, Os discípulosde Emaús, Aparição aos Onze e Ascensão, para comparar o discurso da Bíblia com o nosso, analisando as devidas diferenças e semelhanças.
Onde teria ido viver Jesus , depois que ele apareceu a seus discípulos e apóstolos e levitou ou se projetou envolto numa nuvem luminosa, em sinal de despedida daquele ciclo de sua vida?
No discurso da Igreja, ascendeu, deu-se a ascensão. Foi fácil dar um final feliz e todo mundo ficar satisfeito: "Subiu aos céus, está sentado à mão direita de Deus Pai, Todo Poderoso"...
Só começamos a compreender estes acontecimentos através dos estudos e experimentos místico-religiosos ou parapsicológicos.
Nossa resposta á pergunta que fizemos: Ele foi viver no Monte Carmelo, tinha-se fechado o portal de sua vida pública.
É oportuno esclarecer que, na época do nascimento de Jesus os essênios formavamuma grande fraternidade na Galiléia e que tinham hospitais e albergues em diversas partes da Palestina. Seu templo supremo situava-se no distante Egito e tinham templos menores na Palestina e em outros países. Nazarenos, nazaritas e essênios haviam unido suas forças para uma obra fundamental , à qual muitas autoridades em história religiosa e sacra fazem alusão quando falam dos interesses comuns que ligavam estes grupos. Trata-se da manutenção de um grande estabelecimento, a um só tempo escola, universidade e mosteiro no Monte Carmelo.
Vale a pena ser pesquisada a história do Monte Carmelo que passou a ser um centro sagrado e secreto, isolado e bem protegido, destinado a abrigar uma escola mística. O próprio Pitágoras tinha passado um tempo ali e, em sua biografia, o Monte Carmelo é qualificado de "sagrado entre os sagrados de acesso proibido aos profanos".
Não desprezamos as solenidades cristãs da Páscoa , porque valorizamos mais seu simbolismo que os fatos aqui narrados. Nelas estão, por exemplo, simbolizados: os renascimentos em geral de nossa existência, principalmente a passagem da morte para a vida, o culto a nosso Redentor - Jesus (o Avatar do novo ciclo cósmico), a transcendência ...
É impossível limitar o significado de determinado símbolo a uma definição dogmática.
O povo precisa das celebrações festivas da Páscoa para alcançar o extra-ordinário. A compreensão das coisas divinas não é diretamente acessível à inteligência objetiva.
Desde tempos imemoriais, a tradição usou narrativas simbólicas para veicular o Conhecimento. Temos que percebê-lo através de signos nossos conhecidos, numa elaboração psíquica e espiritual. O importante nos símbolos não é o aparente , é o invisível onde o espaço e o tempo não têm significado.
Em nossas publicações, uma das narrativas simbólicas que já apresentamos foi o mito de Prometeu.
O estudo teórico e principalmente prático da linguagem secreta dos símbolos é profundo e interminável. Cada um tem de procurar meios para realizá-lo e dele advirão muitas vantagens, a maior delas é conhecer-se a si próprio e assim poder conhecer os outros, o mundo e a Deus, como nos ensinaram os gregos antigos.
Condenamos, porém, os imperialismos, o romano, ao qual nos referimos, e todos os outros e também todas as torturas.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
N° 26 Tiradentes
Interrompemos um pouco as reflexões especiais sobre a Prosperidade, para aproveitar as provocações que nos traz o mês de abril, com suas comemorações a Tiradentes e à Páscoa.
Começaremos homenageando Tiradentes. Será também uma oportunidade de nos referirmos novamente à Estética, a ciência do belo ou à ciência das sensações que tem como problema básico um certo gênero de prazer, o que equivale a dizer que é indefinível. O prazer só existe no instante e nada é mais individual, mais incerto, mais incomunicável. O estético é mais sensível que pensável. Percebemos com nossos sentidos o espanto mas não podemos definir o espantável. Pretendemos apresentar a nossos leitores uma possível mensagem estética.
Tentando cumprir nossa proposta, copiaremos, a seguir, o poema "Tiradentes", de nossa autoria.
"Muitas cabeças unidas num só corpo". (juramento proposto por Alvarenga Peixoto, na conjuração mineira).
No final...
o corpo partido
cabeça
tronco
e membros
só os do Alferes,
o Exceto.
No silêncio...
tremem de pavor
cavalos
pássaros
árvores
rio
estrelas
terra salgada
estradas de Minas,
diante do sangue inocente
da carne retalhada
do Morto.
No patíbulo...
ainda vive
entre os fios da corda
a palavra enforcada
de um Brasil
Espoliado.
Na dor...
de cada fome
no desespero
de cada sede
o sangue,
o fígado,
o coração
entregues ao estrangeiro.
As cicatrizes.
Na edênica natureza...
as riquezas
a esperança
destruídas pelos
senhores da pecúnia,
os Abutres.
No sonho...
festa do carnaval
futebol sensacional
reformas políticas
saúde
educação
cidadania
promessas
anestesiam
os Irmãos.
Nas dobras da História...
as sementes adubadas
pelo povo
ainda enforcado.
Flores e frutos
AINDA
uma Utopia.
Todos somos Joaquim José da Silva Xavier
Joaquim José da Silva Xavier.
Libertas quae sera tamen!
Agora, como transcreveremos os "Imaginários de Aninha (Dos Autos da Inconfidência Mineira)", da autoria de Cora Coralina, vamos dar ligeiras notas biográficas da poeta.
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas nasceu na cidade de Goiás em 20-8-1889, viveu muitos anos em São Paulo, faleceu em Goiânia em 10-4-1985.
Teve 4 filhos, criou-os e mais uma filha do marido com uma índia, ajudava em solteira a mãe a lavar roupa para fora, foi doceira e poeta.
Sua extensa obra literária é uma prosa poética excelente e de fácil leitura.
Vamos ver o que nos diz Paulo Bonfim, um poeta falando de uma poeta:
A Cora Coralina
Cora-Coragem,/ Cora-Poesia,/ Cora-Palavra,/ Cora-Protesto,/ Cora-Justiça,/ Cora-Paixão,/ Cora-Mulher!/ Na inquietação-Coralina,/ Na procura-Coralina,/ Nos combates-Coralina,/ Nos Goiases-Coralina!/ E de Cora Coralina/ É o verbo que se fez verso!/ Ave Poesia, cheia de graça,/ Nave Goiás-Anhanguera,/ Bênção Cora Coralina!
A seguir, o citado poema de Cora Coralina:
Sonhava com as ladeiras de Ouro Preto.
E no desvão de um beco
Me encontrei na frente de um vulto estranho, desusado,
Trêmulo, de um velho medo do passado.
Perguntei o que fazia ali parado.
E ele me disse num jeito amendrotado
Ser o fantasma de um Inconfidente deportado.
E me contou do ideal antecipado
Da liberdade cerceada.
Da sede de uma independência fracassada
E que viria trinta e dois anos mais tarde,
Não em conluio de reuniões furtivas
E sim, numa cavalgada histórica e festiva.
E veio a delação. Os medos, aquela confusão.
Prisões. Suicídio, ocultos e fugitivos apavorados.
A masmorra sombria. Todos se acusando.
Negando o grande gesto. Acovardados.
Um, entre tantos, aceitaria a pesada culpa,
Do plano malogrado.
E quem agitou o quepe engalanado
E sacou da espada fulgurante,
Não foram mais os românticos renegados.
E sim, um descedente
Da mesma soberana que alguns lustros antes,
Mandara esquartejar o cadáver
Enforcado de Tiradentes e deixá-lo em postes ignóbeis
Por vilas e cidades,
Nos caminhos de Vila Rica.
Hoje, Patrono das Polícias Militares
Consagrado no Thabor da posteridade.
E aquela que assinou a sentença infamante
E mandou destruir e salgar o chão de sua casa,
Está assinalada: D. Maria I - A louca.
Os que sobreviveram, deportados pelas terras negras da África,
A história vai esquecendo, inexoravelmente,
Seus nomes, seus medos, suas covardias.
Nos autos revisados da Independência
a sombra romântica de Marília.
É claro que os eruditos teóricos da literatura veem muitos defeitos na obra da Drª Cora Coralina. Doutora em ajudar seus semelhantes!
A próxima postagem será sobre a Páscoa. Aguardem.
Libertas quae sera tamen !
sexta-feira, 25 de março de 2011
N° 25 Pérolas da Prosperidade vindas do Oriente
Chamamos de pérolas aos textos do blog anterior e aos deste blog, porque os consideramos valiosos, preciosos, como se fossem pérolas. E são pérolas gratuitas! No blog n° 24, os textos foram distribuídos por mestres ocidentais , neste, vieram do Oriente.
De Confúcio:
"Há homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido."
Confúcio foi o fundador da primeira escola filosófica na China, viveu de 551 a 479 a. C. Formulou com outros filósofos chineses o pensamento que é precursor da Ética e da Filosofia Social.
O homem nas suas vivências e experiências sociais sofreu, desde o começo, o impacto de muitos acontecimentos decisivos e adversos. Sentiu-se como indivíduo imerso num mundo histórico que o conduzia para onde não queria ir. Sentia o seu ser como que submerso no Estado ou nos grupos sociais em geral. Diante disto formulou a respeito do mundo social perguntas e explicações que não eram míticas e sim racionais. São estas explicações que assinalam o começo da Ética e da Filosofia Social.
Aproveitamos a digressão para dar umas definições indispensáveis a quem estuda Filosofia.
Três disciplinas surgiram, dentro da Filosofia, partindo de uma reflexão profunda sobre as normas e os fundamentos da ação ou da conduta humana. São elas:
Primeiramente, a Teoria dos Valores ou Axiologia que se subdividiu em :
_ Ética que estuda os valores morais e a maneira do homem se comportar perante eles. Valor é tudo aquilo que é precioso para homem e o atrai individual ou socialmente. Por exemplo, as aulas que estamos dando sobre a Prosperidade pertencem à Ética.
_ Estética que estuda os valores referentes ao belo, às artes. Baumgarten concorda que a Estética seja uma teoria do belo e define o belo como a perfeição apreendida pelos sentidos.
Não vamos perder o fio condutor de nossos estudos, por isso continuaremos a distribuir "pérolas".
Mensagens do Dalai Lama (líder espiritual tibetano, século XX e XXI)
1. Dê mais às pessoas do que elas esperam, e faça com alegria.
2. Decore seu poema preferido.
3. Quando disser: "eu te amo", seja verdadeiro.
4. Quando disser: " sinto muito", olhe as pessoas nos olhos.
5. Fique noivo pelo menos seis meses antes de se casar.
6. Acredite em amor à primeira vista.
7. Nunca ria dos sonhos de outra pessoa.
8. Em desentedimentos, brigue de forma justa. Não use palavrões.
9. Não julgue as pessoas pelos seus parentes.
10.Fale devagar mas pense com rapidez.
11. Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.
12.Quando você se der conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.
13. Quando você perder, não perca a lição.
14. Lembre-se dos três Rs: Respeito por si próprio; Respeito pelo próximo; Responsabilidade por suas ações.
15. Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.
16. Sorria ao atender o telefone. A pessoa que estiver ligando , ouvirá isto na sua voz.
17. Case com alguém que você goste de conversar. Ao envelhecerem, suas aptidõe de conversação serão tão importantes como qualquer outra coisa.
18. Passe mais tempo sozinho.
19.Abra seus braços para mudanças mas não abra mão de seus valores.
20.Lembre-se que o silêncio às vezes é a melhor resposta.
21.Leia mais livros e assista menos TV.
22.Viva uma vida boa e honrada. Assim quando você ficar velho e olhar para trás poderá aproveitá-la mais uma vez.
23.Confie em Deus mas tranque seu carro.
24.Em desentedimentos com entes queridos, enfoque a situação atual. Não fale do passado.
25.Leia o que está nas entrelinhas.
26.Seja gentil com o planeta.
27.Reze. Há um poder imensurável nisso.
28.Nunca interrompa quando estiver sendo elogiado.
29.Não confie em alguém que não feche os olhos quando beija.
30.Uma vez por ano vá a algum lugar onde nunca esteve antes.
31.Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele onde o amor de um pelo outro é maior que a necessidade de um pelo outro.
32.Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve de renunciar para consegui-lo.
33.Lembre-se que seu caráter é o seu destino.
Finalizamos com as sábias palavras do Mestre Jesus:
Por isso vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida pelo que haveis de comer ou o que haveis de beber;
Nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento e o corpo mais do que a roupa?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam nem ceifam, nem juntam em celeiros; e vosso Pai Celeste as alimenta. Não tendes vós maior valor do que elas?
E qual de vós com todos os seus cuidados pode acrescentar mais um côvado a sua estatura?
E quanto à roupa, por que andais preocupados? Olhai os lírios do campo como crescem, eles não tecem nem fiam e eu vos digo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
Ora, se Deus veste assim a erva do campo que hoje existe e amanhã será lançada ao forno, não vos vestirá muito mais, homens de pouca fé?
Por isso não andeis preocupados dizendo o que iremos comer ou o que iremos vestir, porque todas essas coisas os gentios também buscam.
De certo, o vosso Pai Celeste sabe que necessitais de todas essas coisas.
Buscai primeiro o REINO DE DEUS E A SUA JUSTIÇA e tudo o mais lhes será acrescentado.
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